BR230+BR163

A Rodovia Transamazônica (BR230) e a Rodovia Cuiabá-Santarém (BR163) foram implantadas durante o período da ditadura militar no Brasil, especificamente no governo do General Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). Nesse mesmo período,  o Instituto Nacional da Reforma Agrária – INCRA  dá início ao processo de criação dos Projetos Integrados de Colonização que tem como política a distribuição de lotes agrícolas, ao longo das rodovias 230 e 163 e estradas vicinais.

O slogan “Integrar para não Entregar” sintetizava naquela época a preocupação com as terras “inóspitas” ao lado  de “Brasil: ame-o ou deixo-o” – que completava o ideário do governo daqueles tempos. Nas palavras do próprio presidente-ditador, tratava-se de entregar “uma terra sem homens para homens sem terra”.  Uma das motivações propaladas para desenvolver o projeto, era levar a população nordestina, assolada com a seca, para a Amazônia. Investiu-se fortemente em propaganda e, a partir daí, começaram a chegar colonos de várias regiões do país patrocinados pelo projeto de colonização promovido pelo então Presidente da República.

Na conclusão das  rodovias BR230 e BR153em 1974, o projeto de colonização dirigido pelo INCRA já era considerado fracasso, inclusive por órgãos de planejamento governamentais, que atribuíam esse insucesso principalmente a grande e não prevista migração espontânea vindas das diversas partes do país.

O sucesso esperado da colonização oficial fracassou devido ainda a vários  fatores: falta de infraestrutura, comercialização intensiva de terras, atuação de especuladores e grileiros, desinteresse dos nordestinos, fatores naturais e outros que implicaram a desistência deste grande e audacioso projeto. Além disso foram intensificados diversos tipos de conflitos entre o estado, latifundiários, povos indígenas, garimpeiros, ambientalistas, etc.

O planejamento inicial do projeto considerava a criação de uma estrutura de colonização ao longo das rodovias: os espaços de terras “cultiváveis” seriam interligados por estradas entre núcleos urbanos denominados Agrovilas, Agrópolis e Rurópolis. Cada um desses núcleos teria diferentes níveis de urbanização, onde as rurópolis, a cada 70km, seriam o nível maior com estrutura urbana para atender as demandas econômicas e socioculturais da região. Ao final, várias agrovilas foram criadas com uma estrutura muito aquém do prometido e somente uma agrópolis foi implantada, a “Agrópolis Brasil Novo”, que era um nível de urbanização intermediário. Uma única rurópolis, “Rurópolis Presidente Médici”, localizada no entroncamento das rodovias BR230 e BR163 foi inaugurada em 12 de fevereiro de 1974 pelo então presidente, como distrito do município de Aveiro.

 

Para inauguração daquela rurópolis foi construído o Hotel Presidente Médice para receber a comitiva presidencial. Atualmente decadente, o hotel foi símbolo de um projeto faraônico e que guarda um aspecto de arquitetura moderna. Ao longo dos anos, recebeu algumas ornamentações pictóricas que misturam o imaginário amazônico com a vida selvagem ao redor do mundo.

Em 1989 o distrito de “Rurópolis Presidente Médici” foi emancipado, tornando-seo município de “Rurópolis”, excluindo o nome do ex-presidente.  A cidade hoje possui cerca de 40.000 habitantes, não conta com saneamento básico e grande parte do esgoto se apresenta em céu aberto.   É considerado um dos municípios com o mais baixo IDH do Brasil 5225/5565 (ONU - dados de 2010).  

Nos eixos a partir de Rurópolis, que convergem as BR230 e BR163, onde  nos anos 70 foram implantados  precariamente implantados os programas de colonização, se observa um rastro de destruição das florestas para extração de madeira, seguida de ocupação por  grandes propriedades de atividades agropecuárias.

© 2020 José Diniz

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